Eu tinha 9 anos quando uma colega de escola me disse que minha mãe “mexia com coisa ruim” porque incorporava cabocla. Passei a adolescência escondendo guia embaixo da blusa. Corta para 2026: o perfil do terreiro publica o ponto da semana, a gente marca gira por stories e a fila de assistência fica maior quando tem música ao vivo dos jovens.
A virada geracional
A nossa geração descobriu que umbanda não é “coisa de velho”: é a primeira religião que nos recebeu sem perguntar sobrenome, sexualidade ou CEP. Nos terreiros, travestis dirigem curimba, meninas de 16 aprendem ogã, e ninguém te vende promessa de enriquecimento. No país que mais adoece de ansiedade, a gira virou nossa terapia comunitária.
O que ainda dói
E olha: ainda tem pai que proíbe, professor que zomba, colega que faz chacota de “macumba”. Racismo religioso também tem 15 anos e TikTok. Por isso assumir-se é um gesto político: cada jovem com guia no peito alarga a porta para o próximo.
Se você é novo na fé: procure uma casa séria, estude, faça suas perguntas. Axé não é estética — é compromisso. Mas que fica bonito no feed, isso fica.