Nanã Buruquê é uma das mais antigas forças cultuadas no panteão afro-brasileiro. Senhora dos mangues, dos pântanos, do barro e da ancestralidade, Nanã representa o útero antigo do mundo — a matéria primordial de onde a vida surge e para onde retorna.\n\n## O barro da criação e da memória\n\nSe Oxalá molda, é Nanã quem oferece o barro. Por isso sua energia está ligada à memória profunda, à maturidade espiritual, ao karma, ao tempo e à paciência. Na umbanda, sua linha é associada ao recolhimento, à evolução e aos processos lentos de depuração da alma. Nada em Nanã é apressado: ela ensina que o tempo também é remédio.\n\n## Símbolos e culto\n\nSuas cores costumam ser o lilás, o roxo e tons mais apagados. Seu elemento é o barro úmido, as águas paradas, os brejos e lagoas antigas. Em muitos cultos, é sincretizada com Sant’Ana. Sua saudação é “Saluba, Nanã!”.\n\nNanã não age no impulso: age na maturação. Seu axé ajuda a aceitar os ciclos da vida, a reverenciar os mais velhos e a compreender que há forças que só o silêncio revela.