O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) decidiu tombar, pela primeira vez, um terreiro de umbanda como patrimônio histórico da cidade. A medida reconhece oficialmente o valor cultural de um espaço que ajudou a consolidar a religião na capital paulista.
O que muda com o tombamento
Com a decisão, o conjunto arquitetônico e simbólico do terreiro passa a contar com proteções legais contra demolição e descaracterização, além de se habilitar a políticas públicas de preservação. Para a comunidade, é o Estado reconhecendo que a memória brasileira também se guarda em barracão de gira, em congá e em atabaque.
Reparação histórica
Durante décadas, terreiros sofreram repressão policial, apreensão de objetos sagrados e até prisões de dirigentes. O tombamento funciona como gesto de reparação e inspira movimentos semelhantes em outras cidades — parte de uma virada em que casas de axé deixam de ser toleradas e passam a ser protegidas.
Historiadores veem a medida como capítulo de um processo maior: a inscrição das religiões de matriz africana no patrimônio oficial do país que elas ajudaram a fundar culturalmente.
