O Censo Demográfico 2022, realizado pelo IBGE, consolidou uma mudança histórica no mapa religioso brasileiro: a parcela da população que declara seguir umbanda ou candomblé triplicou em relação a 2010. Já o espiritismo, que crescia há décadas, registrou queda pela primeira vez.

Um movimento de décadas

Pesquisadores apontam que o resultado reflete um longo processo de “saída do armário religioso”: muitos praticantes que antes se declaravam católicos ou “sem religião” passaram a assumir publicamente a fé de matriz africana. A expansão digital — com giras transmitidas ao vivo, pontos nas plataformas de streaming e perfis educativos — aproximou novas gerações.

Agora é oficial

O crescimento chega junto com conquistas institucionais: o Dia Nacional da Umbanda (Lei Federal nº 12.644/2012), o tombamento do primeiro terreiro de São Paulo como patrimônio histórico em 2025 e calendários municipais de celebração, como os atos públicos registrados em novembro de 2025 em várias capitais.

Especialistas lembram, porém, que os números — apesar do salto — ainda subestimam a presença real das religiões de matriz africana, justamente pelo receio histórico de discriminação ao declarar a fé.