Minha avó dizia: “casa sem arruda é casa sem porteira”. Pendurava a folha atrás da porta e jurava que inveja boa não passava. Anos depois, na faculdade de fitoterapia, encontrei a mesma arruda nos estudos antimicrobianos. A folha que a avó benzida a ciência comprovou — e o terreiro consagrou.
Santíssima trindade do quintal
Arruda limpa e corta. Guiné afasta forças trevosas e refresca a coroa. Espada-de-São-Jorge firma a proteção: não é à toa que ela cresce apontada para o céu, como sentinela. Essas três, com alecrim e manjericão, formam a base de nove entre dez banhos receitados na minha casa de santo.
Como eu ensino aos meus filhos
Colhe de dia, pedindo licença à planta. Macera com as mãos — faca nenhuma corta folha de axé, pois o metal é de Ogum e a folha é de Oxóssi. E olha o intendimento: banho devagar, da testa aos pés, é oração com cheiro.
Se sua semana foi densa, prove: quinze folhas de guiné, sete de arruda, água aquecida e fé. Você sai do banho mais leve — e a casa agradece.